11.2.06

Erotica – Os Sentidos na Arte

com um pouco de atraso:

Reflexões sobre a exposição: “Erotica – Os Sentidos na Arte”;
A atualidade do Centro Cultural Banco do Brasil.

Outubro – 2005

Mostra: Erotica – Os Sentidos na Arte
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
De 13 de outubro de 2005 a 8 de janeiro de 2006

A mostra Erotica – Os Sentidos na Arte no Centro Cultural Banco do Brasil apresenta grandes nomes da história da arte e nomes contemporâneos de importância fundamental.
O título da mostra Erotica (sem acento) é uma palavra de língua inglesa que também é usada como substantivo, diferentemente da erótica da língua portuguesa, que se atém ao adjetivo.
A exposição foi pensada como antologia de obras eróticas, mas ultrapassa este objetivo ao reunir as diferentes visões ao longo da história acerca de um mesmo tema. Reunidas, as obras despertam de maneira mais abrupta seus aspectos antropológicos, psicanalíticos e históricos. Ao serem dispostas com o fio condutor do erotismo, as obras despertam no público o sentido de pertencer a algo maior, eterno e humano.
Sejam vídeos, esculturas, objetos, fotografias ou pinturas, com uma fatura de artistas de todas as épocas e locais, a mostra atualiza o ser-humano em seu plano mais corporal, e com este ato, recompõe as estruturas, podendo assim, permitir ao público saltos mais altos, em direção ao inconsciente.
O prédio inteiro comporta a exposição e é pensado, seguindo a tradição psicanalítica, como um corpo.
O trabalho de Rosângela Rennó, “Afinidades Eletivas”, objeto com fotos de dois casais no dia do casamento, que ao espectador se deslocar por volta da obra, permite que separe os casais e os juntem em configurações diferentes, está no subsolo, no cofre. Momento decisivo para a liberdade dos segredos, desejos reprimidos e tabus sociais.
Simbolizando as “baixas pulsões” o subsolo comporta obras onde todo o relacionamento erótico com o outro é citado e problematizado.
No segundo andar, a problemática da diferenciação do “corpo X espírito”, e a fragmentação do ser, tão comum ao século XX.
No terceiro andar onde, seguindo a metáfora psicanalítica do corpo como casa, seria o cérebro, a razão, o ser é reestruturado, e a fragmentação desfeita, reordenada. O auto-retrato como revelador de ambos os planos no sujeito, ou ainda o encontro e admiração do sujeito com a integridade do outro, cumprem bem este papel.
A ordenação de opostos que se atraem e a demonstração que não são somente os paradoxos que se conjugam, não-opostos também se atraindo, num amalgama homem-mulher, mulher-mulher, razão-corpo, sexo-amor, homem-homem, eflúvios e matérias, casa-corpo, e assim seguindo, percorre toda a exposição.
Segue assim também a linha histórica, ao abranger desde a pré-história até o contemporâneo, vislumbramos que apesar do ser ter se intelectualizado cada vez mais, carregamos diversos aspectos não-resolvidos inteiramente em nosso inconsciente.
É que nos diz o duplo título da exposição: “Erotica, os sentidos na arte”, resvala tanto nos aspectos sensoriais quanto nos significados, passando pela orientação, pela direção a se seguir.
O CCBB, ao interligar tantos aspectos e abranger tão ricamente um assunto, mostrou-se mais sagaz em perceber que as fragmentações e inquietações de até pouco tempo atrás começam a perder o sentido para a humanidade de hoje, ao contrário de outros espaços expositivos, que teimam em apresentar recortes que não conseguem ultrapassar a curiosidade de se abordar algum assunto.
Até pouco tempo, as mostras se subdividiam em louvores ao corpo ou a tecnologia, explorando-as escassamente ao recortar estes aspectos.
Mesmo com a imensidade de mostras que tivemos sobre arte e tecnologia, não fomos capazes de perceber uma totalidade expressiva, e nem sequer uma tendência, visto que os artistas que expunham em uma mostra eram os mesmos que expunham nas outras.
O choque da tecnologia, por exemplo, que a pouco fragmentava a humanidade, parecendo mostrar que o homem se “robotiza” nos tempos atuais, não representa mais riscos para uma mentalidade contemporânea, descartamos esta hipótese como descartamos a intensidade da fragmentação mente X corpo que se apresentou há poucas décadas.
Não temos mais medo do mundo virtual, como não temos mais medo do mundo industrial. Existem problemas nos dois planos, mas são problemas sempre inerentes ao modo como o ser-humano lida com suas possibilidades.
Tanto a relação com o mundo virtual, quanto com o mundo industrial, são competentes ao sujeito, da mesma forma que a relação com o mundo sexual e racional pode levar a problemas como doenças venéreas ou racionalizações excessivas e dependentes de crenças-centrais altamente preconceituosas. Estes aspectos vários, sempre resultantes na maneira como o sujeito vai se relacionar com o mundo, é o valor da mostra do CCBB, que atualiza o pensamento “plurilateralista” e a filosofia contemporânea. Não somos mais fragmentados, somos multifacetados. Repletos de riquezas inconscientes e conscientes, tal como a exposição nos aponta e nos reflete.




Segundo o site do Centro Cultural Banco do Brasil, os artistas participantes da exposição são os seguintes:
Alair Gomes, Albert Marquet, Alfredo Nicolaiewsky, Almeida Junior, André Masson, Anita Malfatti, Antônio Dias, Antônio Gomide, Antônio Henrique Amaral, Auguste Rodin, Cláudio Mubarac, Duane Michals, Edgard de Souza, Eliseu Visconti, Emygdio de Barros, Eric Fischl, Felix Braquemond, Fernanda Preto, Florian Raiss, Francis Picabia, François Boucher, Franklin Cassaro, Hans Bellmer, Ismael Nery, Ivan Serpa, Jean-Jacques Lebel, Jules Pascin, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Manolo Hugué, Marcelo Grassmann, Marcelo Krasilcic, Marcia X, Marco Paulo Rolla, Nan Goldin, Newton Mesquita, Pablo Picasso, Paul Éluard, Paul Gauguin, Pierre Molinier, Pitágoras, Rodolpho Bernardelli, Rosana Monerath, Rosângela Rennó, Thomas Glassford, Thomas Ruff, Tunga, Ubirajara Ribeiro, Vera Lúcia Brandão Martins, Vicente do Rego Monteiro, Vik Muniz e Wesley Duke Lee. Integram a mostra ainda peças arqueológicas do Museo Rafael Larco Herrera (Peru) e Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

Referências da WEB:

Centro Cultural Banco do Brasil
http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr/sp/rptg/ReportagemDetalhe.jsp?Reportagem.codigo=2571

Revista Bravo
http://www.bravonline.com.br/impressa.php?edit=ap&numEd=97

1 Comments:

Anonymous Edu Funicelli said...

Opa, programaço!!!

Abrax do tio Edu (já que "no more drugs", renovando-se numa tina cheinha de formol... sempre)

10:59 PM  

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